Após dois dias de intensa repercussão nas redes sociais, a gestão do Centro de Ensino Luzenir Matta Roma, em Codó, divulgou uma nota de esclarecimento sobre o caso envolvendo o ex-aluno Mateus da Silva Costa, de 22 anos, que denunciou ter sido impedido de entrar na escola para solicitar documentos necessários à sua matrícula na UFMA.

A manifestação oficial, publicada nas redes da instituição, não encerrou a polêmica. Pelo contrário: provocou uma onda de críticas, principalmente de alunos, ex-alunos e membros da comunidade escolar, que passaram a questionar o teor da nota, a postura da gestão e a tentativa de justificar o ocorrido como uma simples “falha de comunicação”.

No documento, a escola afirma não compactuar com qualquer tipo de discriminação e sustenta que possui regras de vestimenta para acesso às dependências da instituição. No entanto, internautas reagiram com indignação, argumentando que Mateus não buscava assistir aulas, mas apenas exercer um direito administrativo, e que normas internas não podem se sobrepor a direitos fundamentais, especialmente em um prédio público.

Comentários publicados nas redes sociais criticaram duramente a narrativa adotada pela escola. Há quem acuse a gestão de vitimização, outros defendem punição aos responsáveis e há ainda quem classifique a nota como “nojenta”, “desrespeitosa” e desconectada da realidade vivida pelo jovem. Também foram levantadas acusações de racismo e capacitismo, reforçadas pelo fato de Mateus ter conseguido acesso ao documento apenas após a ampla exposição do caso.

Outro ponto que gerou revolta foi o trecho da nota em que a gestão lamenta que o canal responsável pela divulgação do vídeo não tenha procurado a escola antes da publicação. Para muitos internautas, a crítica soa como tentativa de desviar o foco do problema, ignorando que, sem a repercussão pública, o direito do jovem talvez não tivesse sido garantido.

A reação negativa à nota evidencia que, para grande parte da população, o episódio vai além de vestimenta ou comunicação interna. Trata-se de tratamento desigual, abuso de autoridade e da dificuldade de instituições públicas em reconhecer falhas sem transferir responsabilidades.

O caso segue como um dos assuntos mais comentados na cidade e reforça o papel das redes sociais e da imprensa independente como instrumentos de fiscalização, pressão social e defesa de direitos, sobretudo quando falhas administrativas atingem diretamente o futuro de um jovem aprovado na universidade.