O cenário político do Maranhão vive mais um capítulo de reviravoltas — e desta vez o protagonista é o deputado estadual Francisco Nagib. Depois de articular uma tentativa de impedir a reeleição de Iracema Vale à presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), e de adotar postura de oposição aberta contra o governo de Carlos Brandão, o filho do prefeito de Codó, Chiquinho do PT, surpreende ao anunciar seu retorno à base governista.

No fim de 2024, Nagib foi apontado como um dos protagonistas do movimento contra Iracema. Chegou a ingressar com ação judicial contra o Estado e a Assembleia, questionando os limites de emendas individuais — numa clara ofensiva à administração estadual. Na época, ele se posicionava como figura da oposição, mesmo sendo formalmente do mesmo partido de Brandão.
Além disso, o parlamentar chegou a disparar críticas públicas ao governo, inclusive por conta do controle sobre unidades de saúde em Codó — terra comandada por sua família. Esse histórico fez com que muitos na base governista o identificassem como traidor.
Mas agora, Nagib subiu à tribuna da ALEMA nesta terça-feira (2) e declarou: “volto à base do governador Carlos Brandão”, com a promessa de apoiar os “melhores projetos para o Estado” e contribuir para “o desenvolvimento do Maranhão”.
O gesto público de reaproximação foi interpretado por muitos como uma manobra estratégica de Nagib para recuperar espaço político e esconder os desentendimentos recentes. Mas a desconfiança permanece alta. Para parte da base de Brandão, o histórico de “trocas de lado” do deputado corrobora a visão de que sua lealdade tem prazo de validade e está condicionada a interesses pessoais.
Além disso, as acusações de “rachadinha” — práticas denunciadas de desvio de parte dos salários de assessores — ainda pairam sobre o deputado e tornam sua volta um risco potencial de desgaste para o governo.
A reaproximação pode fortalecer votações em favor de Brandão, mas também expõe fragilidade: para manter apoio, o governo agora precisa acomodar quem ontem tentava desconstruí-lo. Entre aliados, há quem defenda a trégua — e quem enxergue um “retorno estratégico”, pronto para virar novamente oposição se a maré mudar.
Em resumo: traições, manobras e a arte de mudar de lado
Francisco Nagib percorreu um caminho de ruptura com o governo de Carlos Brandão e com a presidência da ALEMA — liderou uma tentativa de derrubar Iracema Vale, bateu-boca judicial, votações contrárias e críticas públicas. Hoje, porém, ele tenta resgatar sua relevância com um retorno anunciado à base aliada.
Para muitos, o gesto tem cheiro de oportunismo: um parlamentar acostumado a flertar com a conveniência. A pergunta que continua no ar — e que poucos ousam responder — é: até quando essa “aliança” vai durar?

A aliança vai durar até quando for conveniente p eles. O gestor Estadual é quem sabe se quer bancar o besta acreditando.