Uma nova ferramenta tecnológica desenvolvida em Cuiabá promete ampliar as possibilidades de diálogo entre campanhas eleitorais e eleitores, ao mesmo tempo em que busca respeitar os limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira. O publicitário João Victor Lepri, em parceria com o escritor e especialista em Inteligência Artificial Patrick Bonometti, anunciou o lançamento de um sistema de inteligência artificial voltado à comunicação política, com foco na organização de informações e na interação automatizada via WhatsApp.

A solução foi pensada para auxiliar equipes de campanha na gestão de comunicação com o eleitorado, permitindo que perguntas frequentes sejam respondidas de forma automatizada, além de registrar percepções e demandas apresentadas pelos cidadãos durante as conversas. As interações geradas pelo sistema são organizadas em um painel de dados que permite visualizar tendências, temas mais recorrentes e níveis de engajamento do público.

Segundo os desenvolvedores, a proposta é utilizar tecnologia para estruturar melhor as informações que chegam às campanhas, algo que tradicionalmente ocorre de maneira dispersa em aplicativos de mensagens.

“A política moderna precisa ouvir mais o eleitor. Hoje grande parte dessa conversa acontece no WhatsApp, mas muitas campanhas ainda não conseguem organizar essas informações de forma estratégica. A tecnologia pode ajudar a transformar essas interações em dados que orientem melhor as decisões de comunicação”, afirma João Lepri.

Patrick Bonometti explica que o objetivo foi construir uma solução que unisse automação, análise de dados e respeito às regras eleitorais vigentes no país.

“O uso de inteligência artificial pode ajudar campanhas a responder dúvidas da população com mais rapidez e também a identificar quais são os temas que mais preocupam os eleitores em cada região. Quando esses dados são organizados corretamente, eles ajudam a melhorar a qualidade do debate público”, destaca.

O sistema foi concebido com atenção às normas que regem a propaganda eleitoral no Brasil, especialmente as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legislação permite o uso de ferramentas digitais nas campanhas, desde que sejam respeitados princípios como a transparência na comunicação, o consentimento do eleitor para recebimento de mensagens e a vedação ao disparo massivo irregular.

Especialistas apontam que o uso de tecnologia e análise de dados tem se tornado cada vez mais presente no ambiente político, acompanhando uma transformação mais ampla no modo como campanhas se relacionam com o público.

No caso do sistema desenvolvido em Cuiabá, a proposta é oferecer um ambiente que centralize informações obtidas por meio de interações voluntárias dos eleitores, permitindo que equipes de comunicação identifiquem pautas relevantes e adaptem suas estratégias de forma mais eficiente.

Além da organização de dados, a ferramenta também busca apoiar campanhas na criação de respostas rápidas para dúvidas frequentes da população, o que pode contribuir para melhorar a transparência e a capacidade de resposta durante o período eleitoral.

Com o avanço da comunicação digital no país, iniciativas que combinam tecnologia, análise de dados e observância às normas eleitorais tendem a ganhar espaço nas disputas políticas, especialmente em um cenário em que o relacionamento direto entre candidatos e eleitores se tornou um dos principais eixos das campanhas contemporâneas.