Mesmo mantendo o discurso de aliado do governador Carlos Brandão, o prefeito de Codó, Chiquinho do PT, decidiu abrir espaço para que parte do seu grupo político caminhe ao lado de Othelino Neto, um dos principais nomes de oposição ao governo estadual.

E a contradição está justamente aí.
De um lado, Chiquinho mantém proximidade com Brandão e integra a base política ligada ao governador. Do outro, o prefeito articula para que parte de sua estrutura política fortaleça um deputado que tem feito oposição direta ao Palácio dos Leões e se tornou uma das principais vozes contra a atual gestão estadual na Assembleia Legislativa.
A pergunta que fica é: afinal, qual lado Chiquinho está defendendo?
Porque não estamos falando apenas de uma aproximação política qualquer. Othelino Neto rompeu com o grupo de Brandão e passou a fazer críticas duras ao governo, protagonizando embates públicos com aliados do governador. Agora, o mesmo grupo político que se apresenta como aliado de Brandão em Codó também passa a ajudar um dos seus principais adversários.
Na prática, Chiquinho tenta manter uma ponte com dois lados que hoje estão em campos diferentes. A estratégia pode até ser vista como uma forma de preservar alianças e evitar conflitos, mas também abre espaço para uma interpretação incômoda: a de que o prefeito quer estar bem com todos, mesmo quando os seus aliados disputam lados opostos da política estadual.
Para o eleitor, a conta pode parecer difícil de entender. Se Brandão é o aliado, por que fortalecer um dos maiores críticos do governador? Se Othelino representa um novo caminho, por que manter a relação política com o grupo governista?
O movimento de Chiquinho do PT mostra que, para 2026, a política codoense promete ser marcada por uma pergunta que ainda não tem resposta clara: o prefeito está fechado com o projeto de Brandão ou está construindo uma alternativa ao lado de quem faz oposição ao governador?
Por enquanto, Chiquinho parece tentar caminhar nos dois lados da estrada. O problema é que, na política, chega um momento em que é preciso escolher uma direção.
Marco Silva.

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