Confesso que recebi com profunda preocupação a notícia de que a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo, em São Luís, após uma representação feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Segundo a própria Polícia Federal, a investigação foi aberta por suposto crime de perseguição (stalking), motivado por publicações feitas no blog do jornalista envolvendo o ministro. Mas aqui cabe uma pergunta simples e direta: desde quando publicar notícias sobre uma autoridade pública virou crime?

Conheço o trabalho de Luís Pablo há anos. Trata-se de um jornalista que construiu sua carreira divulgando informações e bastidores da política maranhense e nacional. Gostem ou não das matérias, isso faz parte do jogo democrático e da função da imprensa: informar, investigar e publicar.

O que causa estranheza — e indignação — é ver um ministro do mais alto tribunal do país, como Alexandre de Moraes, usar o peso do Estado para reagir contra um jornalista por causa de publicações. Quando um ministro do STF aciona a Polícia Federal contra um comunicador por matérias publicadas, o sinal que se passa para a sociedade é extremamente preocupante.

A liberdade de imprensa não existe para proteger apenas reportagens agradáveis. Ela existe justamente para garantir que jornalistas possam publicar informações que incomodam o poder. Quando autoridades começam a tratar atividade jornalística como crime, abre-se um precedente perigoso para a democracia.

Não se trata aqui de defender excessos ou irresponsabilidade na comunicação. Se alguém se sentir prejudicado por uma publicação, existem caminhos legais como direito de resposta ou ações judiciais na esfera cível. O que não parece razoável é transformar um trabalho jornalístico em caso de polícia.

O episódio envolvendo Luís Pablo precisa ser debatido com seriedade. Porque, no fim das contas, quando a imprensa é intimidada, quem perde não é apenas um jornalista — é o direito de toda a sociedade de ser informada.