O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (16), durante um ato em Copacabana (RJ) a favor da anistia, que uma eleição sem sua participação negaria a democracia no Brasil. Bolsonaro desafiou seus opositores a derrotá-lo nas urnas e disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será “isento” em 2026.

A presidência do TSE ocorre em sistema de rodízio entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A previsão é que, em 2026, o tribunal seja comandado por Kassio Nunes Marques, tendo André Mendonça como vice — ambos indicados por Bolsonaro ao STF.

“Eleições sem Bolsonaro é negar a democracia no Brasil. Se eu sou tão ruim assim, me derrote. E uma esperança para nós: o TSE no ano que vem será isento, diferente daquele que conduziu as eleições em 2022”, declarou.

Alinhamento com Kassab e defesa da anistia

Durante o discurso, Bolsonaro também mencionou o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmando que um impasse entre eles foi resolvido e que o líder do partido apoiará a aprovação do projeto de anistia no Congresso Nacional.

“Eu tinha um velho problema, e resolvi com o Kassab em São Paulo. Ele está ao nosso lado e com sua bancada para aprovar a anistia em Brasília. Todos os partidos estão vindo”, afirmou aos apoiadores.

O ex-presidente também fez críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e disse que o Nordeste não se desenvolve devido à influência da legenda.

“A região que deveria ser a mais próspera, com mais igualdade, oportunidades e amor, tinha que ser o Nordeste. Mas por que não é? Porque o PT está há 20 anos lá, roubando os nordestinos, sonegando educação para eles”, declarou.

Defesa contra acusações e críticas a Moraes

Bolsonaro voltou a negar qualquer tentativa de golpe e disse que essa narrativa foi criada por seus adversários.

O que eles querem no Brasil é fazer igual à Venezuela. Quando a inelegibilidade está ameaçada para eles, inventam uma historinha de golpe. Que golpe foi esse que eu tenho que provar que não dei? Eles é que têm que provar que eu tentei. Só não foi perfeito para eles porque eu estava nos Estados Unidos. Se eu estivesse aqui, estaria preso até hoje ou morto por eles”, afirmou.

O ex-presidente também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem acusou de atuar contra sua gestão e influenciar as eleições de 2022.

Todos os inquéritos do Alexandre de Moraes são secretos. Ele começou a me investigar em julho de 2021, sem fato determinado. A Polícia Federal não pode investigar um presidente. O que eles queriam? Minar a Presidência da República. Houve, sim, mão pesada do Moraes nas eleições de 2022, declarou.

Bolsonaro ainda criticou a atuação do governo Lula e comparou seus ex-ministros com os atuais ocupantes dos cargos. Ele responsabilizou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), pela alta nos preços no país.

“Dá para comparar o atual ministro da Infraestrutura com Tarcísio de Freitas? O ministro dos Direitos Humanos com a Damares? O da Agricultura com a Tereza Cristina? O Haddad com o Paulo Guedes? A Janja com a Michelle?”, questionou.

Caso Clesão e críticas ao STF

O ex-presidente também mencionou a morte de Clézio Rodrigues, conhecido como Clesão, que estava preso no Complexo da Papuda após os atos de 8 de janeiro. Abraçado à viúva de Clesão, Bolsonaro responsabilizou Moraes pelo ocorrido.

“Alguém que devia usar sua caneta para fazer justiça negou três vezes a liberdade dos castigados para que fossem tratados com dignidade. O Clesão acabou falecendo dentro do presídio em Brasília. Isso é inadmissível”, afirmou.

Encerrando o discurso, Bolsonaro disse que seus adversários não conseguirão derrotar o bolsonarismo.

Por uma questão pessoal, por luta pelo poder, eles não derrotaram e nem derrotarão o bolsonarismo, concluiu.