A vereadora Tatiana Medeiros (PSB), presa pela Polícia Federal na última quinta-feira (3) sob suspeita de envolvimento com uma facção criminosa, teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (4). A decisão foi proferida pelo juiz Luís Henrique Moreira Rêgo, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), em Teresina.
Por ser formada em Direito, Tatiana ficará custodiada no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar do Piauí (PMPI). A medida foi autorizada pelo magistrado após solicitação da defesa, com base no Estatuto da Advocacia. “Foi uma determinação a partir do pedido dos advogados dela, porque o estatuto da advocacia prevê esse direito e o juiz deferiu”, explicou a juíza Melissa Pessoa, auxiliar da Corregedoria Regional Eleitoral e coordenadora do Juízo Eleitoral de Garantias do TRE-PI.
Além da prisão, Tatiana está afastada das funções legislativas na Câmara Municipal de Teresina, também por determinação da Justiça Eleitoral.
Em entrevista coletiva após a audiência, a defesa da parlamentar afirmou que considera as medidas adotadas injustificadas.
“Não existe nenhum motivo para as cautelares. Trata-se de um inquérito eleitoral sobre fatos ocorridos na eleição passada. Não há qualquer fato novo que justifique essas medidas. Por isso, continuo afirmando que não há razão para as cautelares”, declarou o advogado Edson Araújo.
Entenda o caso
Tatiana Medeiros foi eleita em outubro de 2024 para seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Teresina, com 2.925 votos. Natural da capital piauiense, ela é advogada e atua como filantropa na ONG Vamos Juntos, entidade que ela própria fundou e administra na zona Norte da cidade.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a campanha eleitoral de Tatiana foi financiada com recursos ilícitos provenientes de uma facção criminosa, além de possíveis desvios de verbas públicas destinadas à ONG.
As investigações tiveram início logo após as eleições de 2024. Em dezembro daquele ano, a Vamos Juntos foi alvo da primeira fase da Operação Escudo Eleitoral. Durante as buscas, a PF apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie e afirmou investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanha.
Além da prisão da parlamentar, a Justiça determinou a suspensão das atividades da ONG e proibiu o recebimento de novos repasses financeiros pela entidade.
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