Em declaração publicada em suas redes sociais, o ex-promotor Deltan Dallagnol colocou em dúvida a imparcialidade do magistrado designado para comandar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Dallagnol, o juiz estaria “intimamente ligado ao caso” e, por isso, deveria se declarar suspeito para atuar na condução do processo.

O ex-promotor também criticou a atuação do ex-Ministro da Justiça, Flávio Dino, durante os eventos de 8 de janeiro. De acordo com Dallagnol, Dino, que ocupava a pasta à época, teria falhado em diversas frentes:

  • Alertas da ABIN: Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, alertas enviados pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) sobre os atos ocorridos foram encaminhados ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e à Polícia Rodoviária Federal, sem que houvesse uma ação eficaz imediata.
  • Perda de imagens: Dallagnol destacou que imagens inéditas referentes à posse do ministro em 8 de janeiro teriam sido perdidas, fato atribuído por Dino a um problema contratual.
  • Atuação da Força Nacional: O ex-promotor também apontou que apenas parte do efetivo da Força Nacional foi mobilizada, enquanto grande parte permaneceu inativa no Palácio da Justiça durante a ocorrência de tumultos.

Outro ponto levantado por Dallagnol diz respeito à relação de Dino com o cenário político: ex-ministro e conselheiro de Lula, ele seria considerado, na visão do ex-promotor, um adversário de Bolsonaro. Dallagnol argumenta que, tendo acompanhado de perto as medidas e decisões adotadas durante os episódios de 8 de janeiro, Dino não seria capaz de julgar com isenção um processo envolvendo o ex-presidente.

Além disso, Dallagnol criticou o fato de que o julgamento, que em tese deveria ocorrer na Justiça Federal da 1ª instância, estaria seguindo um caminho que, segundo ele, configuraria um “teatro jurídico”, com juízes demonstrando posicionamento prévio em detrimento da aplicação neutra da Constituição e do Código Penal.

Até o momento, não houve pronunciamento oficial dos órgãos envolvidos sobre as alegações. O debate sobre a imparcialidade dos magistrados e a condução dos processos envolvendo figuras políticas de alta relevância permanece em aberto no cenário jurídico nacional.